Não entre no blog nem o leia esperando lições de teologia vindas de um teólogo. Não sou teólogo. Estou mais para um maltrapilho, daqueles amados por Aba (se bem que acho que Deus ama todos os maltrapilhos, de alguma forma), cuja insistência por encontrar Deus nas diversidades da vida não se cansa e não se contunde.



Este blog é um lugar pessoal, um lugar exclusivo; não escrevo para nenhum terceiro. Escrevo para Aba e para mim. Minha contradição, minha loucura, por enquanto, que fiquem comigo; e enquanto Aba tiver prazer neste louco maltrapilho, assim quero permanecer.

terça-feira, 10 de março de 2009

O movimento da vida do cristão

Estive lendo algumas coisas que escrevi quando era mais novo. Não recordo a data em que escrevi. Mas algo mexeu dentro de meu coração com as poucas palavras que li.
O sistema conspira contra a vida cristã, contra a vida de Cristo nos homens. O capitalismo nos enche de ocupações e preocupações que fazem nossos olhos se desviarem de Aba e se voltarem para a sobrevivência e convivência com as outras pessoas.
Muitas vezes andamos ansiosos com as coisas que haveremos de comer e vestir, quando Jesus nos diz para confiar no Pai. Muitas vezes ficamos preocupados com a opinião dos homens, e procuramos fazer e ser o que não condiz com nosso verdadeiro eu, enquanto Cristo aponta para uma vida em que o que realmente importa é a vontade, o pensamento, de nosso Pai-Deus.
Enquanto o mundo e o sistema nos levam a pensar no futuro, o próprio Cristo, em Sua Palavra, nos incita a olharmos para o Hoje, consagrarmo-nos Hoje e nos movimentarmos a Deus Hoje. Não é amanhã. É no dia de Hoje. A cada dia – Hoje. Sempre Hoje. Hoje é dia de buscarmos ao Senhor e é sobre isso que quero falar.
Precisamos buscar o Deus que realiza o seu plano com a humanidade embasado em alianças. Deus é um Deus que Se relaciona com o ser humano e isso desde o início da história, desde o Gênesis. Javé é um Deus de Pactos. “Em iniciando alianças, Deus jamais entra em relação casual ou informal com o homem” (O. Palmer Robertson).
A vida de um cristão é marcada por essa movimentação em direção a Elohim. Ele entende a necessidade de Deus e o Seu desejo. Necessidade de Deus? Deus precisa de alguma coisa? Sim, Deus precisa de algo – Ele precisa do ser humano. É como John Wesley disse: Deus nada faz a não ser em resposta a oração. Deus precisa que o homem O busque e assim compreenda a Sua vontade e então ore para que a Sua vontade se cumpra na terra.
Por isso Cristo nos chama atenção para a santificação do dia de Hoje. Por isso ser cristão é marcado por esse dinamismo em direção a Deus. O cristão santifica o Hoje, sempre olhando para Jesus, buscando o Senhor, se voltando para Deus. Caçadores de Deus não é um livro de utopia, invenção – é a realidade do anseio do coração de Deus. Pessoas com o coração voltado para Deus sempre procuram o Senhor no seu dia-a-dia, nas pequenas coisas, nas situações.
“Nenhum ser humano vai além do deus que escolhe para si” (Marson Guedes). Se o teu deus é um objeto eletrônico, você procurará sempre estar por perto – achará tempo, mentirá para estar usufruindo desse objeto (quer seja televisão, vídeo-game, computador ou qualquer outra coisa). Agora, se Javé é Senhor de teu coração, então com certeza, você se voltará para Ele e esperará pelo momento de entrar no teu secreto para que o Pai que vê em secreto te recompense com Sua Presença (Mt 6.6).
Tenho aprendido que Deus e Sua Palavra têm poder para nos sustentar e nutrir a cada dia e justamente por isso, Ele é totalmente suficiente para o homem. Buscá-lO é mais do que uma característica do cristão, é uma necessidade. Se você é daqueles que apenas crê que Deus existe, então você é crente, mas se você sente necessidade de conhecer o Deus que você crê que existe e sente isso te incomodar diariamente, então você é cristão. Digo isso, pois Cristo tinha necessidade de sempre estar em oração diante do Pai – sempre ouvindo sobre o propósito pelo qual Ele estivera na terra, contemplando os feitos do Pai para poder faze a Sua vontade se cumprir na terra.

Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor [...] (Os 6.3)

Buscar-Me-eis e Me achareis quando Me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o Senhor, e farei mudar a vossa sorte; [...] (Jr 29.13)

Buscar está relacionado diretamente a procurar, investigar, pesquisar. Quando Deus nos chama a buscá-lO, Ele quer isso de nós – que procuremos por Ele, investiguemos os lugares, pesquisemos os Seus feitos, conheçamo-lO. Creio piamente que Deus quer ser conhecido e deseja ser encontrado pelo ser humano. “Nós não somos um erro; nós fomos feitos com um propósito” (Cláudia Melo).
O pecado faz separação entre Deus e o homem. Deus sempre quis Se relacionar com o ser humano, como originalmente, antes do pecado (creio nisso!). O pecado apareceu! Fez separação! O véu foi colocado entre Deus e o homem! Cristo apareceu! Resolveu o problema! O véu que estava entre Deus e o homem foi rasgado! Aleluia!

[...] porque é tempo de buscar ao Senhor, até que Ele venha [...] (Os 10.12)

Disponde, pois, agora o coração e a alma para buscardes ao Senhor, vosso Deus (2 Cr 22.19a)

Ao meu coração me ocorre: Buscai a Minha Presença; buscarei, pois, Senhor, a Tua Presença. (Sl 27.8)

Você ainda tem dúvida de que Deus quer Se relacionar com você? Busque Deus, procure por Ele, encontre-O. Olhe para Javé e Sua Palavra, conheça-O. Olhe para Cristo, veja o Pai (Jo 14.9-10 e 17.26). Preste atenção nas pessoas e veja o Seu Espírito (Mt 25.40).

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cristianismo e Falsa Religiosidade

A religião pura e sem mácula para com o nosso Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se incontaminado do mundo. (Tg 1.27)

As pessoas vão às igrejas, ouvem a palavra maravilhosa do pregador e quando este faz o apelo, elas vão a frente de todos, fazem uma oração e pronto, já são convertidas (pois aceitaram e confessaram Jesus como Único Senhor e Salvador de suas vidas) e já estão salvas. Porém, com o tempo tudo volta a ser como antes daquele momento. Muitos após, o batismo, abandonam a igreja e a comunhão dos irmãos voltando para suas vidas desregradas, cheia de vícios e de um vazio descomunal.
Gostaria de entender o porquê isso acontece tanto no meio do povo de Deus. As pessoas chegam e vão embora e parece que nada acontece naqueles que estão ao redor ou nessas pessoas em si. Parece que as pessoas não conseguem vislumbrar a verdadeira religião, o verdadeiro Cristo que é capaz de religar a humanidade a Deus.
Sem dúvida alguma, a verdadeira religião ou Cristianismo está fundamentado numa experiência pessoal e real com o próprio Cristo ressurreto. Ele te chama, pela Sua escandalosa graça, e você então O encontra. Ele te recebe (não te aceita, mas te recebe) e então o Seu Espírito Santo começa a marcar, transformar e mexer com sua vida e estrutura.
O Espírito Santo age diariamente na vida dos Filhos de Deus, pois estes são guiados por Ele (Rm 8.14). É necessário sermos marcados por Deus; para isso, precisamos encontrá-lO e para encontrá-lO, precisamos procurar, ao menos. É necessário dependência de Deus.
Cristianismo vem nos falar de Cristo. Ele é o Foco. Ele é a Base. Sua vida e Suas verdades, ditas, são aquilo em que devemos, como cristãos, nos apoiar. Cristão tem a ver com “pequenos cristos” ou pessoas que lembrem Cristo, que apontem para Ele. Cristão é uma identidade e identidade não tem a ver com apenas palavras, falatório vão, mas com o que realmente somos.
Olhe para suas digitais. Elas falam quem é você. Apenas pelo rastro delas, pela marca que fica onde você toca, onde você coloca suas mãos, é possível descobrir que você esteve e fez algo. É isso! Quando pensamos em mãos, pensamos em feitos, em obras. O que você faz tem tudo a ver com sua identidade. É perceptível. É visível. O que você faz tem a ver com sua identidade e não o que você fala. Talvez por isso Tiago tenha escrito: “Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tg 1.19b) Tiago prossegue:

Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma.

Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural, pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência. (Tg 1.21-23)

Tiago nos diz para estarmos prontos para ouvir e depois ele nos diz para não somente ouvirmos, mas praticarmos. Quando ouvimos, não há dúvida de que a palavra que ouvimos entra em nós, por mais que não caia em nosso coração ou nos marque de imediato. Precisamos ouvir a palavra de Deus (a fé vem pelo ouvir – Rm 10.17) e então praticá-la, porque o que fazemos tem a ver com o que somos.
Quando somos apenas ouvintes, nos assemelhamos ao homem que se contempla no espelho e se retira e logo não se lembra de sua aparência. Ele apenas ouvi, nada faz, nada pratica, não se recorda de quem ele é. Podemos concluir que o praticante é o contrário. Ele sabe quem ele é, ou ele se recorda de sua aparência, pois não é apenas ouvinte. A prática está diretamente ligada ao que somos e vice-versa.
Cristianismo é isso. Nós encontramos Jesus, a Palavra e o Seu Espírito em nós, junto com a palavra e, creio ser necessário, o Corpo ou o sangue (as três testemunhas que testificam na terra, o Espírito, a água e o sangue - 1 Jo 5.8) e isso transforma a nossa vida. Nosso pensamento muda, se renova, e por conseqüência nossas atitudes são diferentes, também marcadas pelo Espírito. Jesus, então, é percebido em nós. O Seu perfume, a Sua Pessoa e Sua Vida.

Mas, aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.
Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã. (Tg 1.25-26)

Precisamos cuidar de nossa língua irmãos, para não falarmos a nosso respeito mais do que somos, não nos vangloriarmos do que não somos capazes de fazer. É um engano pensar que podemos ser cristãos e sermos independentes. Maldita independência! Queremos ser autônomos e fazermos as coisas por nós mesmos, sem Deus e sem as pessoas. Não tem como! Falsa religiosidade é isso – dizermos muito mais de nós do que realmente somos. Assim, nos enganamos.
Volto a dizer que Cristianismo tem a ver com o que realmente somos e não com o que fazemos; e falsa religiosidade nos impulsiona a fazermos ou dizermos aquilo que não somos. Não é algo natural, que parte de dentro de nós, mas é algo exterior. São atitudes que tomamos para parecermos algo que somos, para parecermos espirituais.
Os fariseus eram assim. “Eu não sou como esse pecador”, diziam e diziam o que não eram. Enganavam-se. Experimentar da verdadeira religião que nos move para Deus e para os outros, suas necessidades, é caminho de graça. Dom de Deus! É verdadeiro Jejum (Is 58.6-7).
O ser cristão nos leva a ter atitudes de cristão. O ser nos leva ao fazer. O encontro com Deus e Sua graça e Seu Espírito agindo em nosso íntimo diariamente nos leva a fazer coisas para Ele e os outros. Só somos capazes de negar a nossa carne e morrer para nós mesmos através desse agir. Chega de independência, irmão! Chega de falsa religiosidade!

E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na Sua Própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. (2 Co 3.18)

E, quanto àqueles que pareciam ser de maior influência (quais tenham sido, outrora, não me interessa; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que me pareciam ser alguma coisa nada me acrescentaram; (Gl 2.6)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

David Brainerd

Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. (2 Co 12.15a)

Um jovem, de aparência fraca, franzino de corpo, frágil, mas em que seu interior ardia o fogo do amor por Deus e pelas almas. Orlando Boyer, em seu livro Heróis da Fé, apresenta uma cena da história desse jovem, que me marcou profundamente:

[...] encontrou-se na floresta, para ele desconhecida. Era tarde e o sol já declinava até quase desaparecer no horizonte, quando o viajante, enfadado da longa viagem, avistou a fumaça das fogueiras dos índios peles-vermelhas. Depois de apear e amarrar seu cavalo, deitou-se no chão para passar a noite, agonizando em oração. Sem ele o saber, alguns dos silvícolas o haviam seguido silenciosamente, como serpentes, durante a tarde. Agora estacionavam atrás dos troncos das árvores para contemplar a cena misteriosa de um vulto de cara pálida, sozinho, prostrado no chão clamando a Deus.

Nesse momento de sua vida, David Brainerd, se coloca diante de Deus, agonizando em oração pelos selvagens que o seguiam e que estavam na aldeia. Ele agoniza, transpira morte, enquanto intercede pela vida dos índios peles-vermelhas. Fico profundamente marcado com a vida desse jovem, em seu derramar de si mesmo no altar de Deus pelas almas.
Agonizar implica em ânsia de morte, estar moribundo ou a acabar, estar morrendo. Estar diante de Deus em oração e intercessão, agonizando? Como pode ser isso? Esse é um dos motivos porque a vida desse jovem me marca profundamente.
“Oh! Uma hora com Deus excede infinitamente todos os prazeres do mundo”, dizia David Brainerd. Esse jovem era um homem de oração; que não media limites nem perdas para estar mais próximo de Deus, mais inclinado no peito do Filho. Mesmo estando desanimado, em certo momento, mas experimentou do “Grande Avivamento” dessa época que tinha alcançado a cidade de New Haven, onde David estudava.
O avivamento alcançou seu coração e sua dedicação aumentou ainda mais. Aumentou porque mesmo antes, ele assim como muitos dos outros heróis da fé que o antecederam e precederam, cria nas boas obras. Dedicava-se a oração e meditação na Palavra, como parte dessas boas obras. Após o avivamento ter alcançado seu coração, o que David mais queria era estar pronto para o ministério.

“Passei o dia em jejum e oração, implorando que Deus me preparasse para o ministério, me concedesse auxílio divino e direção, e me enviasse para a seara no dia designado por Ele.”

Sua dedicação a Deus e desejo de ser usado e fazer Sua obra são totalmente admiráveis. Seu desejo era o de ver a salvação daqueles selvagens, os quais Orlando Boyer afirma que eram silvícolas violentos. De acordo com Boyer, Deus concede a Brainerd a entrada no meio desse povo, de forma hospitaleira, após ele se derramar em meio em oração pela vida desses índios.
Ele queria entrar no meio deles, pregar, falar da salvação em Cristo. Brainerd amou este povo, de forma a me lembrar da vida do profeta Jeremias, que amava o seu povo – “Prouvera a Deus a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos, em fonte de lágrimas! Então, choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo.” (Jr 9.1).

“Assim, passei a tarde orando incessantemente, pedindo o auxílio divino para que eu não confiasse em mim mesmo. O que experimentei, enquanto orava, foi maravilhoso, parecia-me que não havia nada de importância em mim, a não ser a santidade de coração e vida, e o anelo pela conversão dos pagãos a Deus.”

E ainda...

“Passei a maior parte do dia em oração, pedindo que o Espírito fosse derramado sobre o meu povo... Orei e louvei com grande ousadia, sentindo grande peso pela salvação das preciosas almas.”

De fato, aquele era o seu povo e por eles ele se dedicou a Deus. Orou. Jejuou. Pregou e instou a Palavra de Deus “a tempo e fora de tempo”. Não confiou em si mesmo, antes se entregava em confiança no auxílio divino. Mesmo estando para se casar com a filha de Jonathan Edwards, não parou de se dedicar a esta causa. Andava inúmeras vezes perdido na noite, tomando chuva e passando por florestas e pântanos. Outras inúmeras vezes ficava debaixo do sol quente, atravessando montanhas. Passou frio. Por vários dias, passava fome.
Sua saúde já estava abalada, mas ainda assim não hesitou. Antes resolveu “arder até o fim” em dedicação, em agonia e compaixão pela vida dos índios.

“Adeus, amigos e confortos terrestres, mesmo os mais anelados de todos. Se o Senhor quiser, gastarei a minha vida, até os últimos momentos, em cavernas e covas da terra, se isso servir para o progresso do reino de Cristo.”

“Continuarei lutando com Deus em oração pelo rebanho aqui e, especialmente, pelos índios em outros lugares, até a hora de deitar-me. Oh! Como senti ser obrigado a gastar o tempo dormindo! Anelava ser uma chama de fogo, constantemente ardendo no serviço divino e edificando o reino de Deus, até o último momento, o momento de morrer”

Suas forças já estavam totalmente esgotas e ele apenas esperava pelo Senhor, para que o levasse. Em seu leito, ao ver alguém se aproximar com as Sagradas Escrituras, exclamou: “Oh! O querido Livro! Breve hei de vê-lo aberto. Os seus mistérios me serão então desvendados!”.
E ainda assim, esse jovem admirável, foi capaz de escrever para o seu irmão Israel Brainerd: “Digo, agora, morrendo, que não teria gasto a minha vida de outra forma, nem por tudo o que há no mundo”. Sua dedicação, devoção e compaixão é o que nós, jovens, precisamos para os dias de hoje.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Trilhando um caminho

A força de um homem consiste em descobrir o caminho que Deus está trilhando, e trilhar esse caminho. (Henry Ward Beecher)

Há um caminho a ser trilhado por todo cristão. Convertemos-nos, vamos a alguma igreja local e então passamos a ter uma vida de intensa busca pela vontade de Deus. Todos os dias, passamos a orar e pedir para Deus que Sua vontade seja feita em nossa vida. No início sempre estamos fortes e dispostos a fazer o que for preciso para que a vontade de Deus seja feita.
Isso é muito bom, sem dúvida, mas não é tudo. Mesmo porque parece que toda essa intensidade e entrega se dá devido a algo que as pessoas chamam de “primeiro amor”, no sentido de uma emoção, de um querer se mover nas coisas de Deus e fazer coisas para Ele quando o verdadeiro primeiro amor se resume apenas em Deus ser o Primeiro.
A emoção acaba. Então vem o desânimo. Dizem que o primeiro amor acaba. Mas na verdade tudo não passou de emoção. Não aprendemos nada e viver uma vida cristã sem aprender nada, sem deixar de ser apenas um convertido, acaba sempre quando as lutas, a tempestade e os ventos fortes aparecem. Como disse Jesus: aqueles que ouvem as minhas palavras e não as praticam (ou as guardam, de fato) são como um homem que construiu a casa sobre a areia [...] (Mt 7.26)
Na parábola do semeador, Jesus nos conta a respeito da semente que caiu sobre a rocha e, tendo crescido secou por falta de umidade ou profundidade. Na explicação Ele aponta: A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz (não tem profundidade em si), crêem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam (Lc 8.13). É necessário vida, fé, algo diário com Deus e não temporal, momentâneo.
Enfim, onde quero chegar é que trilhar esse caminho vai muito além de motivação inicial por conta de paixão momentânea. Esse trilhar de caminho é uma decisão de vida, uma busca de quem sabe a Quem está servindo e procurando: Javé. Digo isso para que você não fique esperando que caminhar com Deus lhe trará uma vida de sossego, de paz, de prosperidade, sempre.
Não confunda Deus com a vida e não ache que Ele tem obrigação de lhe dar felicidade nessa terra. De primeira mão, você não foi criado para este lugar, como diz C. S. Lewis, então não espero encontrar satisfação ou algo que lhe satisfaça por completa nessa terra. O único que é a satisfação para o coração do homem é o próprio Deus, pois o seu coração é o lugar que Ele fez especialmente para Ele.
Existe um caminho, muitas vezes doloroso, mas que é o caminho que Deus está trilhando. Existe um caminho que Deus tem para nós, um caminho que nos leva até Ele mesmo. Ele trilhou o caminho que só Ele poderia trilhar, em Cristo, e através disso Ele nos abriu um caminho para Sua Presença, para Tabernáculos.
Gosto da frase de Henry Ward Beecher e acredito nela. Acredito que quando descobrimos o caminho que Deus trilhou para nós, então ganhamos força para trilhar esse caminho. Aliás, trilhar esse caminho é a força em si, justamente porque esse é o caminho que Deus tem para nós.
Acredite que mesmo que o caminho não pareça ser tão fácil, tão simples, pois tanto o caminho quanto a própria porta em si, são estreitos (Mt 7.14), mas precisamos ter a confiança de que Cristo estará conosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt 28.20b).
Agora, se cremos nessas palavras e estamos enraizados nelas, se cremos na palavra de Deus e sabemos desse caminho a ser trilhado por todo cristão, por todo aquele que está buscando a vontade de Deus e caminhar nela, então está faltando algo. Não bastam apenas palavras, mas precisa-se de uma disposição para assumir algumas responsabilidades. Termino com uma frase:

A ação não surge do pensamento, mas de uma disposição para assumir responsabilidades. (Dietrich Bonhoeffer)