Não entre no blog nem o leia esperando lições de teologia vindas de um teólogo. Não sou teólogo. Estou mais para um maltrapilho, daqueles amados por Aba (se bem que acho que Deus ama todos os maltrapilhos, de alguma forma), cuja insistência por encontrar Deus nas diversidades da vida não se cansa e não se contunde.



Este blog é um lugar pessoal, um lugar exclusivo; não escrevo para nenhum terceiro. Escrevo para Aba e para mim. Minha contradição, minha loucura, por enquanto, que fiquem comigo; e enquanto Aba tiver prazer neste louco maltrapilho, assim quero permanecer.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ministério da Palavra Hoje!

Estamos em dias difíceis, nos quais todo tipo de evangelho é pregado como se fosse o verdadeiro evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Homens e mulheres que se auto-intitulam homens e mulheres de Deus têm pregado sermões e pregado um evangelho como quem coça as orelhas dos seus ouvintes; estão presos em pregar o que as pessoas querem ouvir e estão sujeitos aos bancos, enganando-se ao pensarem que tudo o que dizem vêm do alto.
Os verdadeiros homens e mulheres de Deus que, creio, foram levantados e ainda serão levantados, nesse presente século, não lançam outro fundamento que não seja Cristo (1 Co 3.11) e este ressurreto; são prudentes construtores (1 Co 3.10) e prudentes pregadores. São pessoas com opinião própria (Rm 14.5b), com os olhos voltados para Deus (Sl 141.8) e que não se conformam com este presente século, mas buscam a renovação de suas mentes no Senhor e assim suas vidas são transformadas (Rm 12.2).
O Ministério da Palavra não é efetivo diante dos homens sem que o pregador tenha uma vida de oração diante do Senhor. “Pregação sem santidade não pode transformar vidas; não pode produzir o crescimento da igreja” (E. M. Bounds); e a oração o livra do engano, o livra da operação do erro, limpa sua visão e promove vida e unção dentro de si para que os outros, de igual forma, percebam Cristo nas palavras e na vida do pregador. A oração combinada com a leitura diligente e pregação da Palavra de Deus geram vida e não morte. “O ministério da Palavra tem o poder de mudar uma vida, de fazer algo acontecer” (Leonardo Paiva). “A pregação é Cristo chegando aos homens” (Martinho Lutero).
“Para o ministro da Palavra, a base do ministério e da própria vida dele tem que ser a busca por comunhão intensa com Deus, pois não se pode saber os desejos de Deus sem conversar com Ele” (Leandro Augusto). Essa busca diz respeito ao que Errol Hulse chama de piedade: “Piedade consiste de oração junto ao trono de Deus, estudo de Sua Palavra em Sua Presença e a manutenção de Deus em nossas almas, que afeta toda a nossa maneira de viver.” “Exercer o Ministério da Palavra é não somente ministrar a Palavra de Deus aos outros, mas também vivê-la numa vida de acordo com os seus ensinamentos e promessas” (Matheus Aguiar).
Você busca Deus nas Escrituras ou na Bíblia até encontrá-lO e não aceita ficar sem estar diante Dele, em oração e leitura, buscando-O e encontrando-O. Somente em contato com Ele, constante, podemos ter nossa vida transformada a cada dia de forma a resplandecermos a Sua Glória ou Sua Presença como o foi com Moisés. “Você não tem que orar e ler a Bíblia só quando for sua vez de pregar, você tem que ter comunhão, para saber o que está no coração Dele. Conhecendo-O, você saberá ser parecido com Ele e assim pregará a todos que convivem com você” (Ariella Costa).
Homens e mulheres de Deus sabem de suas falhas, pecados e limitações; não as escondem. As confessam. Não vivem como artistas, mascarados, interpretando sempre. Não pregam a si próprios, não apontam para si, mas pregam a Cristo Senhor de tudo e de todos e a si próprios como servos (2 Co 4.5). Mas eles dão de graça aos outros aquilo que receberam de graça do Pai (Mt 10.8): uma vida mudada, a vida de Cristo dentro de si.
Irmãos, não aceitem o que esse mundo tem a oferecer. Não aceitem o sistema. Não aceitem nadar a favor da maré deste mundo. Não aceitem a satisfação (falsa) dada pela religião – não se manipula Deus nem se consegue agradá-lO e viver uma vida de independência ao mesmo tempo. Não aceitem o desânimo de que nada irá dar certo. Como já disse, corram para os braços de Aba, entrem em seus secretos (Mt 6.6) e se coloquem diante do Pai, em leitura e oração até encontrá-lO. O primeiro passo para encontrar algo é buscar, procurar, ir atrás, não se cansar. Busquem o verdadeiro Cristianismo que é Cristo vivendo no homem e isso transformando o seu viver diariamente.
Eu quero dizer algo mais. Deus é fiel (Dt 7.9; 1 Co 1.9; 1 Ts 5.24 Hb 10.23).
Uma vez li uma história verídica em que Tom estava dirigindo seu carro, numa estrada, e cerca de cem metros adiante, na mesma pista, seguia um carro em alta velocidade. Tom ficou chocado quando viu a porta traseira do carro se abrir, por onde o passageiro atirou um cachorro para fora do carro. O animal chocou-se contra o concreto e rolou até uma valeta. Sangrando muito, o cachorro levantou-se e começou a correr atrás do carro do dono que o havia abandonado com tanta crueldade. Sua fidelidade incondicional não levava em conta a violência sofrida nem a dureza de coração do seu dono.
A fidelidade obstinada e incondicional de Cristo diante nossa indiferença e frieza é surpreendente. Fico realmente escandalizado, assustado com tamanha misericórdia, fidelidade e amor. Fico realmente conquistado, impactado ao pensar que mesmo ao ser negado por mim, e eu sendo infiel, Ele permanece fiel e atrás de mim. Ele não pode negar-Se a Si mesmo (2 Tm 2.13).
Leiam esses versículos e os guarde em seus corações: 2 Co 12.15 e At 6.3-4. Sejamos como envelopes de cartas que carregam dentro de si a mensagem que Deus tem para os homens e para a Sua Igreja. Sejamos como gravetos acesos no Fogo do Espírito Santo. Sejamos como brasas de fogo andando sobre a terra, movidos pelo amor ao povo Deus, a Criação (Rm 8.19) e ao Criador.

domingo, 12 de julho de 2009

A vida do cristão como espelho de Deus

E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a Glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na Sua própria Imagem, como pelo Senhor, o Espírito. (2 Co 3.18) (RA)

Portanto, todos nós, com o rosto descoberto, refletimos como um espelho a Glória do Senhor. Aquela Glória vem do Senhor, que é o Espírito. Ela nos torna parecidos com o Senhor, e assim a nossa glória vai ficando cada vez maior.(2 Co 3.18) (LH)

Gostaria de compartilhar algumas coisas que li de Hernandez Dias Lopes e outras de meu próprio coração a respeito da vida do cristão. É importante sabermos e buscarmos no Senhor Deus entender alguns dos sentidos da nossa vida – e um deles, creio, definitivamente, é expressar a glória de Deus.
Para refletirmos, como espelho, a glória e a vida de nosso Deus, não podemos permanecer vivendo de qualquer jeito, aceitando o nosso comodismo e sendo levados pela indiferença (que leva ao engano) de nossos dias. Levemos em consideração alguns pensamentos a respeito de viver como espelho.
Primeiro, é importante que o espelho seja mudo. Nenhum espelho fala, nenhum espelho mostra o que somos ou o que deve ser mostrado através do som. Isso acontece através da imagem. Ele não prega, não alardeia, não garganteia e não discursa. Apenas reflete, apenas revela. A imagem é o que importa. Pensar nisso nos leva a crer que o que importa não são as palavras do cristão; não adianta você jogar um balde de versículos na cabeça dos ouvintes quando a sua vida não condiz com o que você tanto fala.
O espelho, prega aos olhos daqueles que vêem. É o exemplo que importa. A vida, o comportamento, as atitudes e reações são o que falam mais alto quando se trata de refletir a glória do Soberano Deus. Como diz Hernandes Dias Lopes, “o exemplo não é apenas uma forma de ensinar, mas A única forma eficaz de ensinar”.
Segundo, o espelho deve ser limpo. Um espelho sujo ou embaçado dificulta a visão da imagem refletida. Ele precisa ser limpo para refletir a imagem com clareza. Se formos como um espelho sujo, as pessoas terão dificuldade em entender àquilo que realmente queremos refletir.
O crente que não vive consoante aquilo que acredita, é desonesto. O cristão que leva uma vida dupla, diz ser algo que não é ou que confunde a vida colocando máscaras e vivendo de qualquer jeito, vivendo como um ator ou um hipócrita é incapaz de fazer com que as pessoas entendam a imagem refletida. Como verão a glória e o amor de Cristo Jesus se somos como espelhos sujos?
Terceiro, o espelho necessita ser plano e isso vem nos mostrar a necessidade da vida cristã ser uma vida ilibada ou limpa e irrepreensível. O espelho que não é plano, mas é côncavo ou convexo distorce a imagem a ser refletida. Se você já teve a oportunidade de entrar em uma casa de espelhos, em algum circo, você deve ter visto o quanto a imagem fica alterada, variando desde a cabeça grande com o corpo pequeno até uma pessoa com muitas cabeças ou olhos.
Isso implica que as pessoas, sem dúvida, devem olhar para o crente e encontrar esse diferencial, uma pessoa honesta, fiel e irrepreensível. Imagine como as pessoas estão enxergando Jesus em você; ou se elas realmente estão vendo Jesus em você. Quando se trata de cristianismo, não tem como descartar uma vida semelhante a Cristo, em que as pessoas olham e realmente vêem em você um discípulo repleto de traços e coisas semelhantes ao Mestre.
Quarto e último, o espelho precisa ser iluminado. O que podemos enxergar em um espelho em um ambiente de trevas? Não conseguimos ver nada nem o espelho é capaz de refletir algo. Por isso há necessidade da luz.
Como cristãos, precisamos buscar essa vida iluminada. Como isso? Não há esforço algum, apenas o de responder e se aproximar do próprio Cristo. Ele é a luz do mundo (Jo 8.12) e por isso precisamos estar perto Dele. Sua Palavra também é luz para nossos pés (Sl 119.105) e o contato com ela faz toda diferença.
Nós não temos luz própria assim como a Lua não tem luz própria. Ela reflete a luz do Sol; nós refletimos, como cristãos, a luz de Cristo. São palavras do Senhor: “vós sois a luz do mundo” (Mt 5.14). Nós, cristãos, somos a luz do mundo, mas o que refletimos não é a nossa luz, é a luz de Cristo. Creio que as pessoas vão olhar para nós e não nos verão, simplesmente, mas verão a luz de Cristo, como o foi na Igreja do primeiro século (At 11.26).
Como seremos espelhos mudos, limpos, planos e iluminados, que refletem a luz do próprio Jesus àqueles que nos fitam? Não tem outra maneira a não ser da comunhão com Cristo. O contato com Jesus, diário, nos fará mais parecidos com Ele vez após vez. O trabalhar do Seu Espírito Santo em nosso interior nos transformará de glória em glória, vez após vez.
O segredo é esse, irmãos: a comunhão. Deleitemo-nos em cada encontro e sejamos marcados.

[...] Cristo em vós, a Esperança da Glória. (Cl 1.27)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Escandalize-se (se quiser!)


Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe;
nem os anjos, nem o Filho, senão o Pai. (Mc 13.33)



Quero compartilhar algumas coisas que tenho lido, escrito e pensado. São coisas a respeito de nosso cristianismo ou daquilo que pensamos ser cristianismo, ou ainda, de nossa vida. Não quero lhe dizer o que é cristianismo, de fato, mas sobre o que é ser cristão; ou o que não é ser cristão.
As igrejas que pregam Jesus aqui na América, atualmente, apresentam um cristianismo muito misturado com a cultura de nossa época. Um padrão de vida muito aceitável pelo mundo ocidental. E Jesus nos disse que seríamos bem-aventurados se perseguidos [ou não aceitos] por causa da justiça ou quando injuriados por Sua causa. (Mt 5.10-11 – paráfrase do autor)
Pessoas que vão até as igrejas e ouvem pregações, estranhamente voltam e continuam as mesmas. Professam crer em Jesus, mas estão pouco interessadas em experimentar de uma mudança de vida, de atitudes. Dizer “eu me converti” e não mudar não é conversão. Se você pensa que apenas crer em Jesus lhe torna um cristão, você se engana. Crente até os demônios são (Tg 2.19).
Vi uma pregação do Paul Washer em que ele apresenta um exemplo totalmente verdadeiro sobre como deveria ser a nossa conversão. Ele disse que é impossível alguém ter um encontro ou ser encontrado por um caminhão de carga de 30 toneladas e ficar intacto, nenhum arranhão, nenhuma mudança física ou outra coisa do tipo. E Deus é muito maior que um caminhão de carga.
As pessoas vão às igrejas, aos cultos, mas não mudam de vida, e não experimentam de um relacionamento pessoal com Cristo. Jesus é a Verdade (Jo 14.6) e a Verdade liberta (Jo 8.32). Como diz John White, se a verdade não o libertar do pecado, só há uma conclusão: você não conhece a Verdade, está apenas repetindo falas, como um papagaio.
Cristianismo não é repetir falas, mas é o próprio Jesus vivendo em nós. Sua vida em nós nos traz liberdade, nos faz transbordar em amor e compaixão. Onde estão essas coisas hoje? Onde está o Espírito Santo fluindo em nós como um rio de águas vivas para os sedentos (Jo 4.11 - Jesus é a Água Viva e nós O temos) e para o mundo que aguarda a manifestação dessa vida ardentemente (Rm 8.19)?
O Evangelho não é brincadeira, irmão. O Cristianismo é coisa séria – seríssima.
Nós não somos feitos cristãos por causa do lugar em que nascemos. Se o país ou a casa em que nascemos é um país cristão ou uma casa cristã, ainda assim não somos cristãos. Nós nascemos no lugar que nascemos e estamos no lugar que estamos para buscarmos a Deus e talvez, tateando, pudéssemos achá-lO (At 17.26-27). Não nascemos cristãos. Precisamos encontrá-lO ou sermos achados por Ele para isso.
Cristianismo, que é a verdadeira religião pura e imaculada para com Deus, não é tradição familiar. Portanto, pensar que porque seus pais são cristãos, você também o é, é um engano.
O fato de seus pais serem cristãos não torna você um cristão. A responsabilidade é totalmente pessoal (Ez 18.20). “Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram?” (Ez 18.2)
Assim como o filho não leva a iniqüidade do pai, as atitudes do pai, não salvam o filho. Ao Cordeiro pertence a salvação e não aos homens (Ap 7.10).
O fato de você chamar a Jesus de Senhor e por inúmeras vezes sussurrar “Pai Amado” ou “Deus Eterno” não faz de você um cristão. Assim como fazer obras em nome de Deus também não o faz um cristão. No inferno haverá muitas pessoas cheias de boas intenções (Mt 5.22-23). Obras não salvam. A única obra que salva é aquela feita pelo Filho de Deus, a obra da cruz.
Com certeza Jesus em nós, Sua vida brotando, fluindo de nós é manifesta em boas obras. O perfume de Jesus não é sentido, mas visto. A vida de Jesus não é para ser falada, é para ser vivida. E nós só produzimos frutos se ligados a Jesus (Jo 15.4). Mas nós somos salvos unicamente por causa do sangue do Cordeiro, que traz o perdão de Deus para aqueles que são achados por Ele.
Imagino Deus olhando para a Sua Criação manchada pelo pecado e condenada a morte eterna até que o Seu Filho vem ao mundo. Deus decide resolver o problema da humanidade, decide fazer a Sua parte e a que era cabida ao homem. Agora, por causa do sangue, Ele não nos vê mais manchados ou sujos por causa do pecado, mas alvos do que a neve e puros. Ele olha para nós e vê o sangue do Seu Filho.
São muitos os que optam pelo caminho espaço e a porta larga. Muitos dentro das igrejas, chamando a si próprios de cristãos estão andando no caminho espaçoso que conduz a porta larga e nem mesmo se dão conta disso. Mal sabemos que atrás dessa porta está a morta eterna, a perdição.
Irmãos, devemos vigiar e orar, pois não sabemos quando virá o Dia do Senhor. Muitas pessoas dizem e fazem predições com respeito a esse dia. Não acredite irmãos. O Deus Eterno não iria contra a Sua própria Palavra. A respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos, nem o Filho, senão o Pai (Mc 13.33). Volto a dizer, devemos vigiar e orar.

Jesus associou o verbo vigiar com o verbo orar: “Vigiai e orai, para que não entrei em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41) São duas atividades que se misturam e se completam. Não basta orar: é preciso vigiar cuidadosamente. Não basta vigiar: é preciso orar para alcançar sabedoria e poder para vencer tentações e provações. [...] Vigiar sem orar seria muito cansativo e poderia redundar em perniciosa arrogância. Orar sem vigiar seria uma temeridade.
(Elben Lenz César)

E não só vigiar e orar, irmãos, mas creio que precisamos nos examinar constantemente para vermos se realmente estamos na fé (2 Co 13.3), para ver se não nos desviamos do caminho do Senhor e caímos em nosso próprio entendimento, em nosso próprio engano. Devemos viver por fé e fazer tudo por fé, pois tudo o que não provém de fé é pecado (Rm 14.23). O Cristianismo é vivido por fé. Uma vida com Deus é vivida por fé. Vivamos uma vida diferente, por fé, irmãos!

domingo, 17 de maio de 2009

Amor fraternal puro e simples

Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. (Gl 5.13)

Como sabeis irmãos, a vida cristã traz a nós inúmeras responsabilidades. Nenhuma destas nos é outorgada e nada que fazemos, fazemos por nós mesmos. Tudo o que fazemos, deve ser feito para Cristo (1 Co 10.31). Creio que é justamente por isso que João é capaz de nos dizer que os mandamentos do Senhor não são pesados (1 Jo 5.3).
Uma das responsabilidades de um cristão, penso ser o amor fraternal. Mas antes, permita-me lhe dar uma definição do que é fraternal: fraternal é a referência dada à afeição existente em uma família, entre irmãos. Amor fraternal é justamente essa afeição amorosa que rodeia as pessoas de uma mesma família, os irmãos. Mas, neste texto, a família a qual quero me referir é a família cristã, ou de Cristo.
Por inúmeras vezes, nas Escrituras, somos instruídos pelos apóstolos a prática do amor fraternal. O nosso Senhor Cristo, também nos dá tal ordem.
Na carta aos irmãos da Igreja de Filipos, o apóstolo Paulo exorta: Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros (Fp 2.3-4). Veja bem meu irmão que o apóstolo não dá liberdade ou, não exorta ninguém a cuidar da vida do irmão; o que ele nos diz é para considerarmos o irmão e servirmos ao invés de querermos que as coisas sejam ou aconteçam da nossa maneira.
O princípio do amor fraternal ou o considerar o irmão é a humildade. Veja bem que no Sermão do Monte, a primeira coisa que Jesus nos diz é “bem-aventurados os humildes de espírito...” (Mt 5.3). Este é o ponto. É o que Cristo nos ensinou (Jo 13.12-15) e é o que Paulo continua e afirma:

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a Si mesmo Se esvaziou, assumindo a forma de Servo, tornando-Se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a Si mesmo Se humilhou, tornando-se obediente até e à morte e morte de Cruz. [...] (Fp 2.5-8)

Precisamos buscar essa humildade, irmãos, de forma que venhamos a compreender e a viver o considerar ao irmão acima de nós. Por que digo acima? Somente para contraria a idéia ou a visão de que você está acima ou eu estou acima. Ninguém está acima, senão Aquele cujo nome foi e está exaltado pelo Pai (Fp 2.6-11) e este, antes, considerou o outro (nós).
O apóstolo João também nos instrui:

[...] Esse mandamento antigo é a Palavra que ouvistes. Todavia, vos escrevo novo mandamento, aquilo que é verdadeiro Nele e em vós, porque as trevas se vão dissipando, e a verdadeira luz já brilha. Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. [...] (1 Jo 2.7b-10)

Por que ele nos diz que se odiamos ao nosso irmão, na verdade, ainda estamos nas trevas? O próprio apóstolo João nos explica no capítulo quatro que devemos amar uns aos outros porque o amor procede de Deus. Quem ama é nascido de Deus e O conhece (Jo 4.7). Agora irmão, se Deus nos amou da mesma maneira que a Seu Filho, devemos nós amar uns aos outros (Jo 3.16; 1 Jo 4.09-11).
Irmão, nós só podemos amar os outros por causa desse amor. Nós só somos capazes de amar os outros porque Ele nos amou primeiro. Veja que João, em 1 Jo 4.19, não se utiliza do artigo “o”. Pois ele não está se referindo a Jesus exclusivamente. Ele se refere aos irmãos, como o próprio contexto do texto nos mostra.
Se amamos aos irmãos amamos a Deus. Se amamos a Deus amamos os irmãos (1 Jo 5.1-2).
E este mandamento dito por João, antes, nos fora dado por Cristo:

Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros (Jo 13.34-35)

Jesus afirma que seus discípulos serão conhecidos pelo amor. O amor vivido por Cristo é raro hoje em dia. As pessoas amam por interesse, amam esperando ser amadas. Nós vivemos assim. Sem dúvida alguma esse amor surpreenderá Satanás e o mundo.
Precisamos nos atentar para essas coisas meus irmãos, porque, em Cristo, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor (Gl 5.6). Essa fé que atua pelo amor, sim, tem valor; e tem mais valor do que qualquer cargo, título ou palavra. Essa fé é justamente atitudes que temos para com o outro e cujo motor (ou motivação) é o amor. O mesmo amor que as pessoas verão nos discípulos de Cristo; mesmo amor com o qual somos chamados a ir até as pessoas; o mesmo amor que o mundo carece.
Por isso a nossa liberdade é limitada. E digo que ela é limitada pelo amor. Pelo amor fraternal. Tornamos-nos servos, pelo amor. Consideramos o outro pelo amor. Humilhamos-nos pelo amor. Paramos de falar do outro pelo amor. Interrompemos as disputas pelo amor. Fazemos discípulos de todas as nações pelo amor. Tudo pelo amor.

Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se, vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos. (Gl 5.14-15)