Não entre no blog nem o leia esperando lições de teologia vindas de um teólogo. Não sou teólogo. Estou mais para um maltrapilho, daqueles amados por Aba (se bem que acho que Deus ama todos os maltrapilhos, de alguma forma), cuja insistência por encontrar Deus nas diversidades da vida não se cansa e não se contunde.



Este blog é um lugar pessoal, um lugar exclusivo; não escrevo para nenhum terceiro. Escrevo para Aba e para mim. Minha contradição, minha loucura, por enquanto, que fiquem comigo; e enquanto Aba tiver prazer neste louco maltrapilho, assim quero permanecer.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Consciência de Deus

Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o Seu eterno poder, como também a Sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis.
(Rm 1.20)

Deus é real; e Ele está presente onde você está. Sua Presença pode ser percebida na simplicidade, na humildade das pessoas, de uma congregação, de um povo. Ele pode ser percebido nas pessoas que estão ao nosso redor, pessoas do Corpo de Cristo, da Igreja. Se você está lendo isso ao lado de alguém, ou próximo a alguém, acredite e perceba Deus na vida dessa pessoa. Mesmo que seja nas dúvidas, nas perguntas, no sentimento de tristeza.
O Senhor está em todo lugar. Olhe para o céu e veja o Senhor. Todo o firmamento, toda a Criação, a natureza, os animais, tudo proclama a glória do Senhor (Sl 19.1-4). A ardente expectativa da criação aguarda a manifestação dos filhos de Deus (Rm 8.19) – isso é real e isso mostra que a criação é consciente da existência de Deus.
“A menor célula de nosso organismo aponta para Deus, aspira conhecê-lO e descobrir o seu Criador” (Neílson Silva) Tudo em nós aponta para o Senhor. Aliás, toda a história, desde o início da Criação, aponta para uma única pessoa: Aquele que é a imagem do Deus invisível – Cristo (Cl 1.15)
O próprio ser humano e todas as civilizações durante a história sempre acreditaram, ainda que algumas fossem politeístas, em um Deus que era maior do que os outros, o Supremo, o Superior. Isso me faz acreditar nessa “consciência inconsciente” do El Elyon (Deus Altíssimo, o Forte dos fortes, Gn 14.18-20).
Mas estamos vivendo dias em que essa consciência de Deus está se esvaecendo. As pessoas perdem noção da realidade de Deus, de Seu Espírito Santo e Sua Presença. Não que a Criação tenha deixado de proclamar Deus e Sua Glória, mas o ser humano tem perdido a noção da realidade de Deus. Deus é real.
Você acredita que Deus existe e que Ele tem algo para a sua vida? Crê? Então porque vivemos, tantas vezes, como se Ele não existisse? Pecamos como se Ele não estivesse por perto, olhando, nos observando, esperando algo de nós? Isso é a perda da consciência de Deus, a perda da noção de que Ele é real, vivo e presente. Se não é a perda da consciência de Sua Existência e Presença, é banalização de Deus. Estamos banalizando Deus e o Seu relacionamento com o ser humano.
Certa vez, um adolescente apresentou uma indagação. Perguntou-me se as pessoas que não ouviram falar de Jesus vão para o inferno e se isso seria justo. Não sei responder com precisão, mas Paulo escreve no capítulo 1 de sua carta aos Romanos que o homem é indesculpável, pois mesmo que os atributos invisíveis de Deus, como Sua própria existência, Seu poder, Sua majestade, sendo claramente revelados ou reconhecidos na Criação, o homem despreza Deus, insistentemente.
Por isso, sempre, o homem pensou em uma divindade, que, mesmo havendo outras, mesmo sendo um povo politeísta, essa seria a maior. O ser humano pode não ter ouvido falar especificamente de Jesus, mas, como descrito acima, nunca a Criação deixou de proclamar o seu Criador. Deus é claramente reconhecido nas coisas que estão ao nosso redor.
Essa é a maior questão que quero apresentar aqui. O ser humano, ou aqueles que ainda não perderam, não negaram, tem noção da existência de Deus. Porque, por si só o homem sabe o que é certo e o que é errado, ele é capaz de reconhecer o bem e o mal (Rm 2.14-15). Como quando Paulo visita Atenas em Atos 17; ele percebeu que entre os deuses que os atenienses cultuavam e adoravam, havia um altar no qual estava inscrito: AO DEUS DESCONHECIDO.
O problema da Igreja, que tem pensado em Jesus, tem falado sobre Jesus, é falta de vergonha mesmo, sua prioridade não está em Deus; a Igreja tem conhecido esse Deus e tem vivido como se não o conhecesse (como um ateísmo prático, um modus vivendi - Ef 2.12, Tt 1.16). Mas no mundo, nem todos têm conhecimento de que esse DEUS DESCONHECIDO é Javé, El Elyon, Adonai, Pater, Aba. Por isso devemos ouvir e obedecer ao IDE, devemos ser solícitos, buscar a vida de Corpo, perder para que Cristo apareça na Igreja, na nossa vida. “O mundo precisa de pessoas que digam para ele que há uma esperança. E nós temos a Única Esperança” (Eduardo Ferrari em 31/mai/09).
Cristo está muito além do que nossos olhos podem ver, muito além da religião, das paredes das igrejas. Ele está nas pessoas.
Está na hora de entendermos o chamado do Senhor; está na hora de entendermos que além do IDE (Mt 28.19 e Mc 16.15), existe o VINDE (Mt 11.28). A Igreja precisa ir e pregar o evangelho, fazer discípulos, mas a Igreja também precisa aprender a receber todos aqueles que estão cansados e sobrecarregados, que estão embrulhados no pecado e acorrentados na falta de perdão, nas mágoas que a vida gera.
Antes, precisamos tirar as máscaras que a religião nos coloca, tirar a máscara da própria religião e buscar a verdade e a vida que há em Cristo. O Cristianismo não é brincadeira. “Se você está à procura de uma religião que o deixe confortável, definitivamente eu não lhe aconselharia o Cristianismo” (C. S. Lewis).
Nós não podemos ler a Bíblia porque a religião nos coloca. Nós não podemos orar por causa de um ritual ou uma tradição ou imposição de alguma liderança. Se fizermos essas coisas por causa das pessoas, é tudo engano e aparência, é tudo uma máscara, uma grande farsa. Está na hora de nos ligarmos a Deus, buscarmos intimidade com Ele, uma vida de santidade.
Precisamos ler a Palavra porque cremos que “a leitura diária da Bíblia nos leva a um patamar sobrenatural de comunhão com Jesus Cristo” (Sílvio Freitas). “A Palavra é importante porque é o próprio Jesus e é a Verdadeira Vida” (Verônica Paixão). “A Palavra do Senhor tem poder para nos sustentar e nos nutrir a cada dia e, por isso, é totalmente suficiente para o homem” (Matheus Aguiar). Precisamos voltar nossos olhos para a oração crendo que “a oração liga o nosso espírito ao Espírito de Deus” (Marcela Ribeiro). Temos que começar a crer de fato, nessas coisas.
Irmãos, não sejamos como Moisés, que ao perceber que aquele brilho de sua face estava sumindo, manteve o véu, como aparência de que ainda estava brilhando (2 Co 3.13). Um dos papeis da Igreja e, por isso, o nosso, é expressar ou representar o próprio Jesus, como Seu Corpo, nessa terra.
Como expressaremos Jesus se estivermos usando máscaras, ou mascarando a nossa falsa espiritualidade? Como seremos luz do mundo ou sal da terra se não estivermos ligados, constantemente, em Jesus (Mt 5.13-16)? Como inalaremos do Seu perfume se não estivermos Nele (2 Co 2.15)? Como brilharemos Sua Glória se estivermos vivendo uma hipocrisia (2 Co 3.18)? Todos carecemos da Glória de Deus (Rm 3.23) e hoje cabe a Igreja (pois o Noivo não encarnará novamente) revelar isso a Criação que aguarda ardentemente pela manifestação da Igreja, dos filhos de Deus, nós (Rm 8.19).

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ministério da Palavra Hoje!

Estamos em dias difíceis, nos quais todo tipo de evangelho é pregado como se fosse o verdadeiro evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Homens e mulheres que se auto-intitulam homens e mulheres de Deus têm pregado sermões e pregado um evangelho como quem coça as orelhas dos seus ouvintes; estão presos em pregar o que as pessoas querem ouvir e estão sujeitos aos bancos, enganando-se ao pensarem que tudo o que dizem vêm do alto.
Os verdadeiros homens e mulheres de Deus que, creio, foram levantados e ainda serão levantados, nesse presente século, não lançam outro fundamento que não seja Cristo (1 Co 3.11) e este ressurreto; são prudentes construtores (1 Co 3.10) e prudentes pregadores. São pessoas com opinião própria (Rm 14.5b), com os olhos voltados para Deus (Sl 141.8) e que não se conformam com este presente século, mas buscam a renovação de suas mentes no Senhor e assim suas vidas são transformadas (Rm 12.2).
O Ministério da Palavra não é efetivo diante dos homens sem que o pregador tenha uma vida de oração diante do Senhor. “Pregação sem santidade não pode transformar vidas; não pode produzir o crescimento da igreja” (E. M. Bounds); e a oração o livra do engano, o livra da operação do erro, limpa sua visão e promove vida e unção dentro de si para que os outros, de igual forma, percebam Cristo nas palavras e na vida do pregador. A oração combinada com a leitura diligente e pregação da Palavra de Deus geram vida e não morte. “O ministério da Palavra tem o poder de mudar uma vida, de fazer algo acontecer” (Leonardo Paiva). “A pregação é Cristo chegando aos homens” (Martinho Lutero).
“Para o ministro da Palavra, a base do ministério e da própria vida dele tem que ser a busca por comunhão intensa com Deus, pois não se pode saber os desejos de Deus sem conversar com Ele” (Leandro Augusto). Essa busca diz respeito ao que Errol Hulse chama de piedade: “Piedade consiste de oração junto ao trono de Deus, estudo de Sua Palavra em Sua Presença e a manutenção de Deus em nossas almas, que afeta toda a nossa maneira de viver.” “Exercer o Ministério da Palavra é não somente ministrar a Palavra de Deus aos outros, mas também vivê-la numa vida de acordo com os seus ensinamentos e promessas” (Matheus Aguiar).
Você busca Deus nas Escrituras ou na Bíblia até encontrá-lO e não aceita ficar sem estar diante Dele, em oração e leitura, buscando-O e encontrando-O. Somente em contato com Ele, constante, podemos ter nossa vida transformada a cada dia de forma a resplandecermos a Sua Glória ou Sua Presença como o foi com Moisés. “Você não tem que orar e ler a Bíblia só quando for sua vez de pregar, você tem que ter comunhão, para saber o que está no coração Dele. Conhecendo-O, você saberá ser parecido com Ele e assim pregará a todos que convivem com você” (Ariella Costa).
Homens e mulheres de Deus sabem de suas falhas, pecados e limitações; não as escondem. As confessam. Não vivem como artistas, mascarados, interpretando sempre. Não pregam a si próprios, não apontam para si, mas pregam a Cristo Senhor de tudo e de todos e a si próprios como servos (2 Co 4.5). Mas eles dão de graça aos outros aquilo que receberam de graça do Pai (Mt 10.8): uma vida mudada, a vida de Cristo dentro de si.
Irmãos, não aceitem o que esse mundo tem a oferecer. Não aceitem o sistema. Não aceitem nadar a favor da maré deste mundo. Não aceitem a satisfação (falsa) dada pela religião – não se manipula Deus nem se consegue agradá-lO e viver uma vida de independência ao mesmo tempo. Não aceitem o desânimo de que nada irá dar certo. Como já disse, corram para os braços de Aba, entrem em seus secretos (Mt 6.6) e se coloquem diante do Pai, em leitura e oração até encontrá-lO. O primeiro passo para encontrar algo é buscar, procurar, ir atrás, não se cansar. Busquem o verdadeiro Cristianismo que é Cristo vivendo no homem e isso transformando o seu viver diariamente.
Eu quero dizer algo mais. Deus é fiel (Dt 7.9; 1 Co 1.9; 1 Ts 5.24 Hb 10.23).
Uma vez li uma história verídica em que Tom estava dirigindo seu carro, numa estrada, e cerca de cem metros adiante, na mesma pista, seguia um carro em alta velocidade. Tom ficou chocado quando viu a porta traseira do carro se abrir, por onde o passageiro atirou um cachorro para fora do carro. O animal chocou-se contra o concreto e rolou até uma valeta. Sangrando muito, o cachorro levantou-se e começou a correr atrás do carro do dono que o havia abandonado com tanta crueldade. Sua fidelidade incondicional não levava em conta a violência sofrida nem a dureza de coração do seu dono.
A fidelidade obstinada e incondicional de Cristo diante nossa indiferença e frieza é surpreendente. Fico realmente escandalizado, assustado com tamanha misericórdia, fidelidade e amor. Fico realmente conquistado, impactado ao pensar que mesmo ao ser negado por mim, e eu sendo infiel, Ele permanece fiel e atrás de mim. Ele não pode negar-Se a Si mesmo (2 Tm 2.13).
Leiam esses versículos e os guarde em seus corações: 2 Co 12.15 e At 6.3-4. Sejamos como envelopes de cartas que carregam dentro de si a mensagem que Deus tem para os homens e para a Sua Igreja. Sejamos como gravetos acesos no Fogo do Espírito Santo. Sejamos como brasas de fogo andando sobre a terra, movidos pelo amor ao povo Deus, a Criação (Rm 8.19) e ao Criador.

domingo, 12 de julho de 2009

A vida do cristão como espelho de Deus

E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a Glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na Sua própria Imagem, como pelo Senhor, o Espírito. (2 Co 3.18) (RA)

Portanto, todos nós, com o rosto descoberto, refletimos como um espelho a Glória do Senhor. Aquela Glória vem do Senhor, que é o Espírito. Ela nos torna parecidos com o Senhor, e assim a nossa glória vai ficando cada vez maior.(2 Co 3.18) (LH)

Gostaria de compartilhar algumas coisas que li de Hernandez Dias Lopes e outras de meu próprio coração a respeito da vida do cristão. É importante sabermos e buscarmos no Senhor Deus entender alguns dos sentidos da nossa vida – e um deles, creio, definitivamente, é expressar a glória de Deus.
Para refletirmos, como espelho, a glória e a vida de nosso Deus, não podemos permanecer vivendo de qualquer jeito, aceitando o nosso comodismo e sendo levados pela indiferença (que leva ao engano) de nossos dias. Levemos em consideração alguns pensamentos a respeito de viver como espelho.
Primeiro, é importante que o espelho seja mudo. Nenhum espelho fala, nenhum espelho mostra o que somos ou o que deve ser mostrado através do som. Isso acontece através da imagem. Ele não prega, não alardeia, não garganteia e não discursa. Apenas reflete, apenas revela. A imagem é o que importa. Pensar nisso nos leva a crer que o que importa não são as palavras do cristão; não adianta você jogar um balde de versículos na cabeça dos ouvintes quando a sua vida não condiz com o que você tanto fala.
O espelho, prega aos olhos daqueles que vêem. É o exemplo que importa. A vida, o comportamento, as atitudes e reações são o que falam mais alto quando se trata de refletir a glória do Soberano Deus. Como diz Hernandes Dias Lopes, “o exemplo não é apenas uma forma de ensinar, mas A única forma eficaz de ensinar”.
Segundo, o espelho deve ser limpo. Um espelho sujo ou embaçado dificulta a visão da imagem refletida. Ele precisa ser limpo para refletir a imagem com clareza. Se formos como um espelho sujo, as pessoas terão dificuldade em entender àquilo que realmente queremos refletir.
O crente que não vive consoante aquilo que acredita, é desonesto. O cristão que leva uma vida dupla, diz ser algo que não é ou que confunde a vida colocando máscaras e vivendo de qualquer jeito, vivendo como um ator ou um hipócrita é incapaz de fazer com que as pessoas entendam a imagem refletida. Como verão a glória e o amor de Cristo Jesus se somos como espelhos sujos?
Terceiro, o espelho necessita ser plano e isso vem nos mostrar a necessidade da vida cristã ser uma vida ilibada ou limpa e irrepreensível. O espelho que não é plano, mas é côncavo ou convexo distorce a imagem a ser refletida. Se você já teve a oportunidade de entrar em uma casa de espelhos, em algum circo, você deve ter visto o quanto a imagem fica alterada, variando desde a cabeça grande com o corpo pequeno até uma pessoa com muitas cabeças ou olhos.
Isso implica que as pessoas, sem dúvida, devem olhar para o crente e encontrar esse diferencial, uma pessoa honesta, fiel e irrepreensível. Imagine como as pessoas estão enxergando Jesus em você; ou se elas realmente estão vendo Jesus em você. Quando se trata de cristianismo, não tem como descartar uma vida semelhante a Cristo, em que as pessoas olham e realmente vêem em você um discípulo repleto de traços e coisas semelhantes ao Mestre.
Quarto e último, o espelho precisa ser iluminado. O que podemos enxergar em um espelho em um ambiente de trevas? Não conseguimos ver nada nem o espelho é capaz de refletir algo. Por isso há necessidade da luz.
Como cristãos, precisamos buscar essa vida iluminada. Como isso? Não há esforço algum, apenas o de responder e se aproximar do próprio Cristo. Ele é a luz do mundo (Jo 8.12) e por isso precisamos estar perto Dele. Sua Palavra também é luz para nossos pés (Sl 119.105) e o contato com ela faz toda diferença.
Nós não temos luz própria assim como a Lua não tem luz própria. Ela reflete a luz do Sol; nós refletimos, como cristãos, a luz de Cristo. São palavras do Senhor: “vós sois a luz do mundo” (Mt 5.14). Nós, cristãos, somos a luz do mundo, mas o que refletimos não é a nossa luz, é a luz de Cristo. Creio que as pessoas vão olhar para nós e não nos verão, simplesmente, mas verão a luz de Cristo, como o foi na Igreja do primeiro século (At 11.26).
Como seremos espelhos mudos, limpos, planos e iluminados, que refletem a luz do próprio Jesus àqueles que nos fitam? Não tem outra maneira a não ser da comunhão com Cristo. O contato com Jesus, diário, nos fará mais parecidos com Ele vez após vez. O trabalhar do Seu Espírito Santo em nosso interior nos transformará de glória em glória, vez após vez.
O segredo é esse, irmãos: a comunhão. Deleitemo-nos em cada encontro e sejamos marcados.

[...] Cristo em vós, a Esperança da Glória. (Cl 1.27)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Escandalize-se (se quiser!)


Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe;
nem os anjos, nem o Filho, senão o Pai. (Mc 13.33)



Quero compartilhar algumas coisas que tenho lido, escrito e pensado. São coisas a respeito de nosso cristianismo ou daquilo que pensamos ser cristianismo, ou ainda, de nossa vida. Não quero lhe dizer o que é cristianismo, de fato, mas sobre o que é ser cristão; ou o que não é ser cristão.
As igrejas que pregam Jesus aqui na América, atualmente, apresentam um cristianismo muito misturado com a cultura de nossa época. Um padrão de vida muito aceitável pelo mundo ocidental. E Jesus nos disse que seríamos bem-aventurados se perseguidos [ou não aceitos] por causa da justiça ou quando injuriados por Sua causa. (Mt 5.10-11 – paráfrase do autor)
Pessoas que vão até as igrejas e ouvem pregações, estranhamente voltam e continuam as mesmas. Professam crer em Jesus, mas estão pouco interessadas em experimentar de uma mudança de vida, de atitudes. Dizer “eu me converti” e não mudar não é conversão. Se você pensa que apenas crer em Jesus lhe torna um cristão, você se engana. Crente até os demônios são (Tg 2.19).
Vi uma pregação do Paul Washer em que ele apresenta um exemplo totalmente verdadeiro sobre como deveria ser a nossa conversão. Ele disse que é impossível alguém ter um encontro ou ser encontrado por um caminhão de carga de 30 toneladas e ficar intacto, nenhum arranhão, nenhuma mudança física ou outra coisa do tipo. E Deus é muito maior que um caminhão de carga.
As pessoas vão às igrejas, aos cultos, mas não mudam de vida, e não experimentam de um relacionamento pessoal com Cristo. Jesus é a Verdade (Jo 14.6) e a Verdade liberta (Jo 8.32). Como diz John White, se a verdade não o libertar do pecado, só há uma conclusão: você não conhece a Verdade, está apenas repetindo falas, como um papagaio.
Cristianismo não é repetir falas, mas é o próprio Jesus vivendo em nós. Sua vida em nós nos traz liberdade, nos faz transbordar em amor e compaixão. Onde estão essas coisas hoje? Onde está o Espírito Santo fluindo em nós como um rio de águas vivas para os sedentos (Jo 4.11 - Jesus é a Água Viva e nós O temos) e para o mundo que aguarda a manifestação dessa vida ardentemente (Rm 8.19)?
O Evangelho não é brincadeira, irmão. O Cristianismo é coisa séria – seríssima.
Nós não somos feitos cristãos por causa do lugar em que nascemos. Se o país ou a casa em que nascemos é um país cristão ou uma casa cristã, ainda assim não somos cristãos. Nós nascemos no lugar que nascemos e estamos no lugar que estamos para buscarmos a Deus e talvez, tateando, pudéssemos achá-lO (At 17.26-27). Não nascemos cristãos. Precisamos encontrá-lO ou sermos achados por Ele para isso.
Cristianismo, que é a verdadeira religião pura e imaculada para com Deus, não é tradição familiar. Portanto, pensar que porque seus pais são cristãos, você também o é, é um engano.
O fato de seus pais serem cristãos não torna você um cristão. A responsabilidade é totalmente pessoal (Ez 18.20). “Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram?” (Ez 18.2)
Assim como o filho não leva a iniqüidade do pai, as atitudes do pai, não salvam o filho. Ao Cordeiro pertence a salvação e não aos homens (Ap 7.10).
O fato de você chamar a Jesus de Senhor e por inúmeras vezes sussurrar “Pai Amado” ou “Deus Eterno” não faz de você um cristão. Assim como fazer obras em nome de Deus também não o faz um cristão. No inferno haverá muitas pessoas cheias de boas intenções (Mt 5.22-23). Obras não salvam. A única obra que salva é aquela feita pelo Filho de Deus, a obra da cruz.
Com certeza Jesus em nós, Sua vida brotando, fluindo de nós é manifesta em boas obras. O perfume de Jesus não é sentido, mas visto. A vida de Jesus não é para ser falada, é para ser vivida. E nós só produzimos frutos se ligados a Jesus (Jo 15.4). Mas nós somos salvos unicamente por causa do sangue do Cordeiro, que traz o perdão de Deus para aqueles que são achados por Ele.
Imagino Deus olhando para a Sua Criação manchada pelo pecado e condenada a morte eterna até que o Seu Filho vem ao mundo. Deus decide resolver o problema da humanidade, decide fazer a Sua parte e a que era cabida ao homem. Agora, por causa do sangue, Ele não nos vê mais manchados ou sujos por causa do pecado, mas alvos do que a neve e puros. Ele olha para nós e vê o sangue do Seu Filho.
São muitos os que optam pelo caminho espaço e a porta larga. Muitos dentro das igrejas, chamando a si próprios de cristãos estão andando no caminho espaçoso que conduz a porta larga e nem mesmo se dão conta disso. Mal sabemos que atrás dessa porta está a morta eterna, a perdição.
Irmãos, devemos vigiar e orar, pois não sabemos quando virá o Dia do Senhor. Muitas pessoas dizem e fazem predições com respeito a esse dia. Não acredite irmãos. O Deus Eterno não iria contra a Sua própria Palavra. A respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos, nem o Filho, senão o Pai (Mc 13.33). Volto a dizer, devemos vigiar e orar.

Jesus associou o verbo vigiar com o verbo orar: “Vigiai e orai, para que não entrei em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41) São duas atividades que se misturam e se completam. Não basta orar: é preciso vigiar cuidadosamente. Não basta vigiar: é preciso orar para alcançar sabedoria e poder para vencer tentações e provações. [...] Vigiar sem orar seria muito cansativo e poderia redundar em perniciosa arrogância. Orar sem vigiar seria uma temeridade.
(Elben Lenz César)

E não só vigiar e orar, irmãos, mas creio que precisamos nos examinar constantemente para vermos se realmente estamos na fé (2 Co 13.3), para ver se não nos desviamos do caminho do Senhor e caímos em nosso próprio entendimento, em nosso próprio engano. Devemos viver por fé e fazer tudo por fé, pois tudo o que não provém de fé é pecado (Rm 14.23). O Cristianismo é vivido por fé. Uma vida com Deus é vivida por fé. Vivamos uma vida diferente, por fé, irmãos!