Não entre no blog nem o leia esperando lições de teologia vindas de um teólogo. Não sou teólogo. Estou mais para um maltrapilho, daqueles amados por Aba (se bem que acho que Deus ama todos os maltrapilhos, de alguma forma), cuja insistência por encontrar Deus nas diversidades da vida não se cansa e não se contunde.



Este blog é um lugar pessoal, um lugar exclusivo; não escrevo para nenhum terceiro. Escrevo para Aba e para mim. Minha contradição, minha loucura, por enquanto, que fiquem comigo; e enquanto Aba tiver prazer neste louco maltrapilho, assim quero permanecer.

domingo, 27 de setembro de 2009

A Igreja é formada por pessoas

Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.
Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Gn 1.26-27)


A Igreja é Igreja por causa de Deus, pois nasceu Nele e é por causa Dele; mas a Igreja é Igreja, também, por nossa causa. Ela é formada de pessoas – nós. O ser humano foi criado à imagem de Deus e a Igreja é expressão disso – ela também nos mostra a imagem de Deus. Não sei se você consegue entender: nós fomos feitos à imagem de Deus, conforme a Sua semelhança e a Igreja, sendo formada por nós, pessoas com os olhos voltados para Cristo, também é formada à imagem de Deus, conforme a Sua semelhança.
Agora, o plano de Deus na vida do homem diz respeito a relacionamento. Deus criou o homem e a mulher para se relacionarem e o fruto disso era que a terra seria cheia da glória de Deus. A família é uma das bases da Igreja e também expressão da glória de Deus, por causa de seu relacionamento.
Relacionamento em Cristo é a expressão da glória de Deus. A Trindade Se relaciona perfeitamente. O Pai Se relaciona com o Filho que Se relaciona com o Espírito que Se relaciona com o Pai. Um Se relaciona com O Outro. Os três têm a mesma vontade. Não tem discórdia. Não há mais de uma vontade. Não há desejos diferentes. Um está voltado para O Outro. (Jo 17 expressa isso de uma forma muito especial)
Creio que a Ecclesia chegará a essa expressão – de termos uma mesma vontade, independente de opiniões particulares, pensamentos, desculpas ou articulações humanas; teremos um só propósito, o de revelar Jesus aos homens, o de ser Jesus na terra, o de fazer a vontade do Pai. Que importa a minha vontade quando meu coração está dedicado em descobrir e fazer a vontade do Pai? (Mt 26.39)
Quando nossos olhos estão voltados para Deus então nosso se relacionar é diferente do que o era antes. A vida do próprio Cristo Jesus não era baseada em atitudes religiosas, no que o judaísmo ou qualquer religião impunha na época. A vida de Jesus era baseada em relacionamentos, em Seu relacionamento com Deus e também com as pessoas (Jo 5.17 e 19, 6.36 e 17.1-26). Cristo era movido pela vontade do Pai e por compaixão aos homens (como dizer que Deus, simplesmente, é um Fogo Consumidor? – não é tão simples assim dizer isso, meu irmão).
Levando em considerações esses pensamentos, apresento algo mais. Quando penso em Igreja, Ecclesia de Cristo, inevitavelmente volto os meus olhos para Davi, quando este foge para a caverna de Adulão e todo tipo de pessoa se ajunta a ele, naquele lugar (1 Sm 22.2). A Palavra nos mostra que ali se ajuntaram homens que se achavam em aperto, endividados e amargurados de espírito. Eram homens sem honra, frustrados com a vida, decepcionados, pecadores, imperfeitos, que viviam em dificuldade.
A Igreja é formada por pessoas assim. Aquele que diz que a Igreja é lugar de santos, está dizendo um grave engano. A Igreja é um lugar de pessoas imperfeitas (deveria ser proibida a entrada de pessoas perfeitas). Você se acha bom meu irmão? Jesus não veio para os bons, para os sãos. Ele veio para pessoas desesperadas, cansadas, exaustas, doentes (Mt 9.12; Mc 2.17 e Lc 5.31) . Cristo veio para os pecadores (1 Tm 1.15).
Por que esperamos pessoas perfeitas nas igrejas, irmão? Por que nos escandalizamos e condenamos o nosso irmãozinho, quando este cai e peca? Saiba que ele está no lugar onde deveria estar que é perto de Jesus e Cristo é gracioso, irmão.
A graça não tem sentindo sem o pecado, pois a graça fala de Jesus, justo, morrer por pessoas injustas; ela fala de Cristo, sem pecado, morrer pelos pecadores. Graça de Deus fala da morte de Cristo e de Sua ressurreição. Ressurreição, pois a morte não teria sentindo, também, sem a ressurreição.
A Ecclesia precisa aprender a receber os doentes, os enfermos. O VINDE (Mt 11.28) é para os cansados, sobrecarregados, oprimidos, aflitos, sem esperança, sem vontade de viver, cujo vazio é sentindo de forma insuportável; é para aqueles que se acham pecadores, imprestáveis; para aquelas pessoas que não acham o sentindo para a sua vida.
A Igreja é formada de pessoas de todo tipo, pecadores, por causa Dele, irmão.


Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo.
Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na Sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em Si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade.
E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; porque, por Ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor. (Ef 2.11-21)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Igreja (Ecclesia) de Elohim

Gostaria de apresentar algumas considerações a respeito da Igreja, e quando me refiro a Igreja (em maiúsculo) na verdade estou me referindo a Ecclesia, a qual explicarei mais para frente.
Em alguns momentos de nossa caminhada, precisamos levar em consideração o passado (Ag 1.5), não é para ficar lembrando-se de pecado, procurando pecado, se auto-comiserando ou se auto-flagelando. Não para o mal, mas para entendermos o ponto em que estamos, a razão porque estamos onde chegamos e até mesmo sabermos como agir em situações idênticas ou semelhantes.
Com isso, quero considerar algumas coisas sobre a origem da Igreja. Estamos em tempos em que sua missão precisa ser entendida, para ser cumprida. Como querer entender sua missão se não conhecemos nada a respeito de seu sentido, de como nasceu, qual propósito, como era. São considerações pessoais até mesmo, mas que, creio, serão extremamente úteis para compreender seu papel.
Permita-me ser repetitivo em alguns momentos, apresentando as mesmas considerações várias vezes, pois elas se completam. Às vezes é necessário interromper uma e partir para a seguinte para que essa uma seja compreendida com mais clareza e amplitude.
A Igreja nasceu em Deus, em Seu coração.
Precisamos entender e crer que a Igreja, antes de qualquer coisa, teve origem em Deus. O Pai, em Sua pessoalidade, sonhou com a Igreja, que mais para frente, como veremos, seria parte de Sua família.

Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. (Mt 16.18)

A questão agora, não é a história em si (em breve essa será a questão, pois falarei a respeito “desta pedra” sobre a qual Cristo edificou a Sua Igreja), mas justamente a Pessoa que diz: eu edificarei a minha Igreja.
Essa pessoa é Cristo, aquele que é a Imagem do Deus invisível (Cl 1.15). Todas as coisas foram criadas em Cristo, nos céus e na terra, coisas visíveis e invisíveis, o que vemos com nossos olhos humanos e aquilo que vemos mediante fé. Tudo foi criado por meio Dele e para Ele (Cl 1.16).
E pela fé entendemos que foi o universo formado pela Palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem (Hb 11.3). No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele, e sem Ele, nada do que foi feito se fez (Jo 1.1-3). Isto, João escreve a respeito de Cristo. Este é o Cristo que disse: eu edificarei.
Edificar significa construir, dar bons exemplos, instruir. Cristo é quem constrói a Igreja (Ecclesia), ela é fundamentada Nele (1 Co 3.11). Ele é a Cabeça da Igreja (Cl 1.18) e nós, membros de Cristo.
Jesus nos deu bons exemplos (Jo 13.15) e nós, como cristãos e membros do Seu Corpo, devemos seguir Seus passos, Seus exemplos. E Cristo, nos instruiu em toda verdade, sempre revelando o Pai aos Seus discípulos e hoje a nós. Antes Deus falava aos nossos pais através dos profetas; hoje, o Pai nos falava por intermédio de Seu Filho, Jesus. Se olharmos para Cristo, veremos Deus (Jo 14.9).
Digo essas coisas na tentativa de que possamos perceber, ao menos um pouco, sobre como estamos ligados a Cristo ou como devemos estar ligados a Ele. Não tem como “ser” fora de Cristo (Jo 15.4). Sem Cristo, o que somos? Para onde iremos, se só Cristo tem as palavras de vida, e esta eterna? (Jo 6.68)
Aleluia! Ele nos fez para Ele, como pessoas e como Igreja que somos. Se fomos feitos para Ele, nunca estaremos satisfeitos com nada menos do que Ele, como diz Brennan Manning.

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, Nele, antes da fundação do mundo [...] (Ef 1.3-4)

E a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada (1 Jo 1.2). A Igreja é isso!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Consciência de Deus

Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o Seu eterno poder, como também a Sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis.
(Rm 1.20)

Deus é real; e Ele está presente onde você está. Sua Presença pode ser percebida na simplicidade, na humildade das pessoas, de uma congregação, de um povo. Ele pode ser percebido nas pessoas que estão ao nosso redor, pessoas do Corpo de Cristo, da Igreja. Se você está lendo isso ao lado de alguém, ou próximo a alguém, acredite e perceba Deus na vida dessa pessoa. Mesmo que seja nas dúvidas, nas perguntas, no sentimento de tristeza.
O Senhor está em todo lugar. Olhe para o céu e veja o Senhor. Todo o firmamento, toda a Criação, a natureza, os animais, tudo proclama a glória do Senhor (Sl 19.1-4). A ardente expectativa da criação aguarda a manifestação dos filhos de Deus (Rm 8.19) – isso é real e isso mostra que a criação é consciente da existência de Deus.
“A menor célula de nosso organismo aponta para Deus, aspira conhecê-lO e descobrir o seu Criador” (Neílson Silva) Tudo em nós aponta para o Senhor. Aliás, toda a história, desde o início da Criação, aponta para uma única pessoa: Aquele que é a imagem do Deus invisível – Cristo (Cl 1.15)
O próprio ser humano e todas as civilizações durante a história sempre acreditaram, ainda que algumas fossem politeístas, em um Deus que era maior do que os outros, o Supremo, o Superior. Isso me faz acreditar nessa “consciência inconsciente” do El Elyon (Deus Altíssimo, o Forte dos fortes, Gn 14.18-20).
Mas estamos vivendo dias em que essa consciência de Deus está se esvaecendo. As pessoas perdem noção da realidade de Deus, de Seu Espírito Santo e Sua Presença. Não que a Criação tenha deixado de proclamar Deus e Sua Glória, mas o ser humano tem perdido a noção da realidade de Deus. Deus é real.
Você acredita que Deus existe e que Ele tem algo para a sua vida? Crê? Então porque vivemos, tantas vezes, como se Ele não existisse? Pecamos como se Ele não estivesse por perto, olhando, nos observando, esperando algo de nós? Isso é a perda da consciência de Deus, a perda da noção de que Ele é real, vivo e presente. Se não é a perda da consciência de Sua Existência e Presença, é banalização de Deus. Estamos banalizando Deus e o Seu relacionamento com o ser humano.
Certa vez, um adolescente apresentou uma indagação. Perguntou-me se as pessoas que não ouviram falar de Jesus vão para o inferno e se isso seria justo. Não sei responder com precisão, mas Paulo escreve no capítulo 1 de sua carta aos Romanos que o homem é indesculpável, pois mesmo que os atributos invisíveis de Deus, como Sua própria existência, Seu poder, Sua majestade, sendo claramente revelados ou reconhecidos na Criação, o homem despreza Deus, insistentemente.
Por isso, sempre, o homem pensou em uma divindade, que, mesmo havendo outras, mesmo sendo um povo politeísta, essa seria a maior. O ser humano pode não ter ouvido falar especificamente de Jesus, mas, como descrito acima, nunca a Criação deixou de proclamar o seu Criador. Deus é claramente reconhecido nas coisas que estão ao nosso redor.
Essa é a maior questão que quero apresentar aqui. O ser humano, ou aqueles que ainda não perderam, não negaram, tem noção da existência de Deus. Porque, por si só o homem sabe o que é certo e o que é errado, ele é capaz de reconhecer o bem e o mal (Rm 2.14-15). Como quando Paulo visita Atenas em Atos 17; ele percebeu que entre os deuses que os atenienses cultuavam e adoravam, havia um altar no qual estava inscrito: AO DEUS DESCONHECIDO.
O problema da Igreja, que tem pensado em Jesus, tem falado sobre Jesus, é falta de vergonha mesmo, sua prioridade não está em Deus; a Igreja tem conhecido esse Deus e tem vivido como se não o conhecesse (como um ateísmo prático, um modus vivendi - Ef 2.12, Tt 1.16). Mas no mundo, nem todos têm conhecimento de que esse DEUS DESCONHECIDO é Javé, El Elyon, Adonai, Pater, Aba. Por isso devemos ouvir e obedecer ao IDE, devemos ser solícitos, buscar a vida de Corpo, perder para que Cristo apareça na Igreja, na nossa vida. “O mundo precisa de pessoas que digam para ele que há uma esperança. E nós temos a Única Esperança” (Eduardo Ferrari em 31/mai/09).
Cristo está muito além do que nossos olhos podem ver, muito além da religião, das paredes das igrejas. Ele está nas pessoas.
Está na hora de entendermos o chamado do Senhor; está na hora de entendermos que além do IDE (Mt 28.19 e Mc 16.15), existe o VINDE (Mt 11.28). A Igreja precisa ir e pregar o evangelho, fazer discípulos, mas a Igreja também precisa aprender a receber todos aqueles que estão cansados e sobrecarregados, que estão embrulhados no pecado e acorrentados na falta de perdão, nas mágoas que a vida gera.
Antes, precisamos tirar as máscaras que a religião nos coloca, tirar a máscara da própria religião e buscar a verdade e a vida que há em Cristo. O Cristianismo não é brincadeira. “Se você está à procura de uma religião que o deixe confortável, definitivamente eu não lhe aconselharia o Cristianismo” (C. S. Lewis).
Nós não podemos ler a Bíblia porque a religião nos coloca. Nós não podemos orar por causa de um ritual ou uma tradição ou imposição de alguma liderança. Se fizermos essas coisas por causa das pessoas, é tudo engano e aparência, é tudo uma máscara, uma grande farsa. Está na hora de nos ligarmos a Deus, buscarmos intimidade com Ele, uma vida de santidade.
Precisamos ler a Palavra porque cremos que “a leitura diária da Bíblia nos leva a um patamar sobrenatural de comunhão com Jesus Cristo” (Sílvio Freitas). “A Palavra é importante porque é o próprio Jesus e é a Verdadeira Vida” (Verônica Paixão). “A Palavra do Senhor tem poder para nos sustentar e nos nutrir a cada dia e, por isso, é totalmente suficiente para o homem” (Matheus Aguiar). Precisamos voltar nossos olhos para a oração crendo que “a oração liga o nosso espírito ao Espírito de Deus” (Marcela Ribeiro). Temos que começar a crer de fato, nessas coisas.
Irmãos, não sejamos como Moisés, que ao perceber que aquele brilho de sua face estava sumindo, manteve o véu, como aparência de que ainda estava brilhando (2 Co 3.13). Um dos papeis da Igreja e, por isso, o nosso, é expressar ou representar o próprio Jesus, como Seu Corpo, nessa terra.
Como expressaremos Jesus se estivermos usando máscaras, ou mascarando a nossa falsa espiritualidade? Como seremos luz do mundo ou sal da terra se não estivermos ligados, constantemente, em Jesus (Mt 5.13-16)? Como inalaremos do Seu perfume se não estivermos Nele (2 Co 2.15)? Como brilharemos Sua Glória se estivermos vivendo uma hipocrisia (2 Co 3.18)? Todos carecemos da Glória de Deus (Rm 3.23) e hoje cabe a Igreja (pois o Noivo não encarnará novamente) revelar isso a Criação que aguarda ardentemente pela manifestação da Igreja, dos filhos de Deus, nós (Rm 8.19).

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ministério da Palavra Hoje!

Estamos em dias difíceis, nos quais todo tipo de evangelho é pregado como se fosse o verdadeiro evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Homens e mulheres que se auto-intitulam homens e mulheres de Deus têm pregado sermões e pregado um evangelho como quem coça as orelhas dos seus ouvintes; estão presos em pregar o que as pessoas querem ouvir e estão sujeitos aos bancos, enganando-se ao pensarem que tudo o que dizem vêm do alto.
Os verdadeiros homens e mulheres de Deus que, creio, foram levantados e ainda serão levantados, nesse presente século, não lançam outro fundamento que não seja Cristo (1 Co 3.11) e este ressurreto; são prudentes construtores (1 Co 3.10) e prudentes pregadores. São pessoas com opinião própria (Rm 14.5b), com os olhos voltados para Deus (Sl 141.8) e que não se conformam com este presente século, mas buscam a renovação de suas mentes no Senhor e assim suas vidas são transformadas (Rm 12.2).
O Ministério da Palavra não é efetivo diante dos homens sem que o pregador tenha uma vida de oração diante do Senhor. “Pregação sem santidade não pode transformar vidas; não pode produzir o crescimento da igreja” (E. M. Bounds); e a oração o livra do engano, o livra da operação do erro, limpa sua visão e promove vida e unção dentro de si para que os outros, de igual forma, percebam Cristo nas palavras e na vida do pregador. A oração combinada com a leitura diligente e pregação da Palavra de Deus geram vida e não morte. “O ministério da Palavra tem o poder de mudar uma vida, de fazer algo acontecer” (Leonardo Paiva). “A pregação é Cristo chegando aos homens” (Martinho Lutero).
“Para o ministro da Palavra, a base do ministério e da própria vida dele tem que ser a busca por comunhão intensa com Deus, pois não se pode saber os desejos de Deus sem conversar com Ele” (Leandro Augusto). Essa busca diz respeito ao que Errol Hulse chama de piedade: “Piedade consiste de oração junto ao trono de Deus, estudo de Sua Palavra em Sua Presença e a manutenção de Deus em nossas almas, que afeta toda a nossa maneira de viver.” “Exercer o Ministério da Palavra é não somente ministrar a Palavra de Deus aos outros, mas também vivê-la numa vida de acordo com os seus ensinamentos e promessas” (Matheus Aguiar).
Você busca Deus nas Escrituras ou na Bíblia até encontrá-lO e não aceita ficar sem estar diante Dele, em oração e leitura, buscando-O e encontrando-O. Somente em contato com Ele, constante, podemos ter nossa vida transformada a cada dia de forma a resplandecermos a Sua Glória ou Sua Presença como o foi com Moisés. “Você não tem que orar e ler a Bíblia só quando for sua vez de pregar, você tem que ter comunhão, para saber o que está no coração Dele. Conhecendo-O, você saberá ser parecido com Ele e assim pregará a todos que convivem com você” (Ariella Costa).
Homens e mulheres de Deus sabem de suas falhas, pecados e limitações; não as escondem. As confessam. Não vivem como artistas, mascarados, interpretando sempre. Não pregam a si próprios, não apontam para si, mas pregam a Cristo Senhor de tudo e de todos e a si próprios como servos (2 Co 4.5). Mas eles dão de graça aos outros aquilo que receberam de graça do Pai (Mt 10.8): uma vida mudada, a vida de Cristo dentro de si.
Irmãos, não aceitem o que esse mundo tem a oferecer. Não aceitem o sistema. Não aceitem nadar a favor da maré deste mundo. Não aceitem a satisfação (falsa) dada pela religião – não se manipula Deus nem se consegue agradá-lO e viver uma vida de independência ao mesmo tempo. Não aceitem o desânimo de que nada irá dar certo. Como já disse, corram para os braços de Aba, entrem em seus secretos (Mt 6.6) e se coloquem diante do Pai, em leitura e oração até encontrá-lO. O primeiro passo para encontrar algo é buscar, procurar, ir atrás, não se cansar. Busquem o verdadeiro Cristianismo que é Cristo vivendo no homem e isso transformando o seu viver diariamente.
Eu quero dizer algo mais. Deus é fiel (Dt 7.9; 1 Co 1.9; 1 Ts 5.24 Hb 10.23).
Uma vez li uma história verídica em que Tom estava dirigindo seu carro, numa estrada, e cerca de cem metros adiante, na mesma pista, seguia um carro em alta velocidade. Tom ficou chocado quando viu a porta traseira do carro se abrir, por onde o passageiro atirou um cachorro para fora do carro. O animal chocou-se contra o concreto e rolou até uma valeta. Sangrando muito, o cachorro levantou-se e começou a correr atrás do carro do dono que o havia abandonado com tanta crueldade. Sua fidelidade incondicional não levava em conta a violência sofrida nem a dureza de coração do seu dono.
A fidelidade obstinada e incondicional de Cristo diante nossa indiferença e frieza é surpreendente. Fico realmente escandalizado, assustado com tamanha misericórdia, fidelidade e amor. Fico realmente conquistado, impactado ao pensar que mesmo ao ser negado por mim, e eu sendo infiel, Ele permanece fiel e atrás de mim. Ele não pode negar-Se a Si mesmo (2 Tm 2.13).
Leiam esses versículos e os guarde em seus corações: 2 Co 12.15 e At 6.3-4. Sejamos como envelopes de cartas que carregam dentro de si a mensagem que Deus tem para os homens e para a Sua Igreja. Sejamos como gravetos acesos no Fogo do Espírito Santo. Sejamos como brasas de fogo andando sobre a terra, movidos pelo amor ao povo Deus, a Criação (Rm 8.19) e ao Criador.